A região onde hoje se localiza o município de Queimadas era, originalmente, habitada por povos indígenas cujo nome exato não é conhecido, mas que deixaram diversos vestígios de sua presença. O processo inicial de ocupação da área ocorreu no século XVII, impulsionado pela expansão das terras da Casa da Ponte e pelas expedições que se dirigiam a Jacobina.
No século XVIII, o território correspondente à atual cidade fazia parte de duas grandes propriedades rurais chamadas “As Queimadas”, pertencentes a Isabel Maria Guedes de Brito. O nome do município tem origem nessas fazendas, que receberam essa denominação devido às grandes queimadas realizadas para o cultivo na Caatinga — prática herdada dos povos indígenas da região. Com o passar do tempo, Isabel passou a conceder parcelas de terra àqueles que desejavam se fixar nas propriedades, o que favoreceu o surgimento dos primeiros povoados.
Em 1815, foi construída no então pequeno povoado uma capela dedicada a Santo Antônio, cuja imagem foi entronizada em 13 de junho do mesmo ano. Segundo a tradição popular, a imagem do santo teria sido encontrada de forma milagrosa sob uma árvore no local onde a capela viria a ser erguida. A fazendeira tentou levá-la para casa diversas vezes, mas a imagem sempre reaparecia no mesmo lugar, o que foi interpretado pelos moradores como um sinal de que Santo Antônio desejava ali sua morada.
Com o crescimento da povoação, Queimadas foi elevada à categoria de freguesia pela Lei Provincial nº 168, de 19 de maio de 1842, passando a se chamar “Santo Antônio de Queimadas” e sendo subordinada à então Vila Nova da Rainha, atual Senhor do Bonfim.
Posteriormente, pela Resolução Provincial nº 2454, de 20 de junho de 1884, as freguesias de Santo Antônio das Queimadas e São Gonçalo da Serra da Itiúba foram desmembradas de Vila Nova da Rainha para formar a nova Vila Bela de Santo Antônio das Queimadas, que foi oficialmente instalada em 20 de junho de 1887.
A chegada da ferrovia representou um marco importante para a história local. Em 6 de fevereiro de 1886, foi inaugurada a estação ferroviária de Queimadas, pertencente à Estrada de Ferro da Bahia ao São Francisco. Durante a Guerra de Canudos, em 1897, essa estação teve papel estratégico, servindo como ponto de passagem das tropas da quarta expedição militar enviadas contra o arraial de Antônio Conselheiro.
Em 19 de junho de 1915, a Lei Estadual nº 1081 simplificou o nome do município, que passou a se chamar apenas “Queimadas”.
Ao longo de sua trajetória, o município teve parte de seu território desmembrado para a criação de novas cidades: Itiúba e Santa Luzia (atual Santaluz), ambas em 1935, e Nordestina, em 1985.
Atualmente, Queimadas é reconhecida por sua forte tradição cultural e pelas festas populares que celebram a identidade nordestina, baiana e queimadense, mantendo viva a herança histórica e artística de seu povo.